A luz da sombra

Convite 16 expo

A Luz da Sombra

Em tempo de ninguém, são a tela, o papel, a madeira e outros suportes mais, um ofício solitário de “pinturilar” e “dissecar” as primeiras pinceladas, aleatórias, que vão tomando corpo e adquirindo essência a partir da efabulação dos meus sentidos.

A pintura emerge quando o cheiro da tinta me invade o olfato e me engole como um vício, fazendo que cada quadro seja a vastidão e intimidade da minha memória, das ideias, concretas ou imaginadas, do sonho da criação para celebrar a vida. É nessa procura de celebração que a forte impressão do movimento perpassa os planos e a geometria da realidade. A técnica da mancha e a leitura dos seus contornos, a construção das personagens, através da utilização de um cromatismo diferenciado, fazem o caráter gráfico da composição, emoldurada por uma miríade de sentimentos transversais e dicotómicos expressos através da paisagem ou, principalmente, da mulher, assumindo uma leitura de ambiguidade sensorial endógena. É também num registo bruto de pincelada rápida, que procuro a desmontagem da representação figurativa para impor sobre ela a emoção de instantes incertos do bailado treinado das minhas mãos, que me expõem na nudez mais simples da minha força poética e semântica, ao procurar traduzir a paisagem e a presença da “minha gente” em mim.

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