Vinhos Piteira

Retrato Ze Piteira-cópia 5

JOSÉ PITEIRA aos 13 anos já ajudava o padrinho – o carismático Sr. José Amante – a fazer vinhos de talha, tendo aprendido com ele todos os segredos desta arte milenar. Também o acompanhava nos passeios às vinhas e nas vindimas ganhando, desde criança, uma enorme paixão pela actividade agrícola e, particularmente, pela produção de vinho.

Depois de concluir o ensino secundário, ingressou na Academia Militar, preparando-se para iniciar uma carreira de oficial do exército. Ainda chegou a tenente, mas as saudades da terra, da liberdade da

grande planície, da azáfama da vida agrícola e do barulho das pingas do vinho de talha no alguidar falaram mais alto. A decisão não foi fácil, mas só se sentiu afortunado quando regressou à Amareleja natal. A carreira militar foi uma escola de vida, aprimorando-lhea capacidade de liderança, o sentido de responsabilidade e a competência organizativa, valências que o habilitaram a tornar-se rapidamente um empresário agrícola dinâmico e de grande sucesso.

A vinha e o vinho sempre estiveram no centro das suas preferências, mas também é um grande produtor de azeite, de melões, de cereais e de alguma pecuária. Outro motivo de orgulho de José Piteira, e da sua esposa Paula, é o pequeno restaurante que ambos têm ao lado da adega das talhas. É um espaço emblemático da Amareleja, que no final do século XIX já era adega de talhas, em 1940 passou a ter o cinema ao ar livre da Amareleja, onde se servia vinho de talha e pirolitos, e no final da década de 1990 reabriu como casa de pasto. A alma do projecto é Paula, uma virtuosa da culinária alentejana que cativa toda a gente que se senta à mesa. O branco de talha, feito com Pendura da Amareleja segundo o mais rigoroso processo antigo de vinificação, é tão famoso como os petiscos que saem da cozinha, e o tinto, feito com Moreto de pé-franco, não lhe fica atrás. A partir do São Martinho este espaço é um local de culto, onde se pode encher o copinho directamente da torneira da talha e, num dia de sorte, ver o José Piteira a fazer umas migas de pão, estaladiças por fora e por dentro, numa sertã centenária, que vai passando de geração em geração. Só visto!

Que o digam os inúmeros fregueses, nomeadamente espanhóis, que a partir das seis da tarde atravessam a fronteira e começam a chegar à Adega Piteira para… tapear! Presentemente, além de gerir a sua própria empresa – Amareleza Vinhos, Lda. – Piteira é o encarregado geral da histórica Cooperativa Agrícola da Granja-Amareleja, onde tem vindo a desenvolver um notável trabalho, desde 2007, que muito tem contribuído para a recuperação económica da adega e do prestígio dos vinhos da Margem Esquerda do Guadiana. A esse sucesso é imperativo associar o seu sócio e amigo de infância Manuel Bio, Presidente da Cooperativa e um gestor de topo, que é o responsável pela comercialização de todos os vinhos e outros produtos agrícolas produzidos, nomeadamente na moderna distribuição. Esta dupla de sucesso – José Piteira a produzir e Manuel Bio a vender aquém e além-fronteiras – começa a ser um case study na Margem Esquerda do Guadiana, não só pela relevância económica das empresas que gere, mas principalmente pelas oportunidades de trabalho que tem criado para os jovens da região (que já não têm de emigrar), pelo exemplo que dá a todos os agricultores locais e pelo aumento da autoestima de uma população de um Alentejo profundo e cheio de carácter, mas que se tem desertificado de forma acelerada nas últimas décadas.

31-8-2016 Virgílio Loureiro

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