João Paramés

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JOÃO PARAMÉS é um artista, de linguagem cromática muito interessante que cria obras que parecem florir. Um pintor de genial talento que promete destacar-se nos próximos anos como um artista de excelência da sua geração. Portugal nunca foi terra de pintores mas hoje destaca-se no Grand Palais des Champs a exposição de Amadeu de Sousa Cardoso mostrando que existe em Portugal um potencial enorme, desconhecido internacionalmente. A história diz que qualquer artista precisa de beber na fonte Parisiense, uma espécie de “chuva intelectual” que produz uma transformação intensa da obra e a consolida internacionalmente.

Por essa razão o pintor nascido em Lisboa em 1978, que estudou na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa e na Escola Universitária das Artes de Coimbra, ARCA, necessita de explorar novos horizontes. Apesar de ser detentor de um currículo vasto, com exposições em galerias e espaços públicos que geraram um crescente público admirador da sua obra, asua obra necessita ser conhecida e divulgada. A prova disso é desejo de muitos galeristas além-fronteiras apresentarem as suas obras como aconteceu em França, Alemanha, Canadá e Estados Unidos. João Paramés está representado em inúmeras coleções privadas e públicas nacionais e internacionais.

Desde cedo que o pintor mostrou uma aptidão incomum para a arte, influenciado sempre pela sua mãe, a desenhar, pintar e a participar de atividades relacionadas ao mundo artístico á semelhança de Jean-Michel Basquiat. Espontaneidade e o seu imaginário pessoal fluem no Alentejo, lugar muitas vezes escolhido para produzir as suas obras, apesar do Alentejo ser a ausência de cor, tranquiliza o artista que vive a harmonia da natureza em pleno, criando um canal para o que faz. Não se encontra dividido. Está todo no que é, e todo no que faz. A arte não é para ele uma fuga mas a sua “carne”. Tem uma paixão e um amor pelos seus quadros, como se fossem seus filhos.

Usando fundos lisos ultra coloridos onde saem figuras, animais de toda a espécie que sentem intensamente a vida como qualquer ser. Personagens incógnitos, os animais híbridos, representação constante do pássaro bisnau, ou outros elementos que surgem na vivencia dos dias como quem ama a vida pela sua beleza constante. O pintor Osório de Castro diz sobre o trabalho de João Paramés que a cor é independente do desenho, não é o desenho que é colorido mas é um “chapão” de cor que cria o desenho como Raoul Dufy com suas cores chamativas, irreais e formas atrevidas.

João relembra Matisse no fim da vida, onde o uso do papel colorido e cria composições fantásticas, compostas por formas recortadas criando grandes composições. A cor é usada em gouache decoupé de uma forma inteligente e sábia. Esta linguagem visual elaborada com base em recortes de cor pintados em tons brilhantes e fortes contrastantes e complementares são modo de representação em si mesmo. Este modo de desenhar, “esculpindo” a cor caracteriza-o. A simplicidade das formas, um processo quase infantil de sobreposição, contrasta com a exuberância criativa das temáticas que muitas vezes recordam o circo da vida.

Como Matisse, ele também dedica muitas horas a meditar sobre o jogo das combinações antes de dar forma as suas figuras. Seus quadros são uma” festa de cor “pede que o observador mergulhe na tela com os personagens enigmáticos que compõem cenas misteriosas, com planos, que se articulam no espaço pelo jogo de contiguidades e sobreposições.

As cores vivas, vibrantes e puras, revelam uma espontaneidade que tem como base a inspiração na música, sobretudo na ópera e filmes antigos. A pintura comunica intimamente com observador, na medida em cada um constrói a sua história, sendo transportado para uma outra realidade.

23-04-2016 Raquel Farelo

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