Edite Melo

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Estar perante a obra de Edite Melo é estar perante um espaço inteiro de sentires, de vivências, é pôr a alma no centro de todo o processo de existência e continuidade humana. Olhar para dentro de um universo de cores e de traços que nos transportam para um mundo por vezes sensorial, por vezes abstrato, por vezes imaginado. A sua pintura transporta-nos para uma realidade muito peculiar, uma realidade onde se confundem e acontecem metamorfoses, fruto das suas vivências, do seu encontro de olhares com a humanidade, do seu percurso pessoal e interno, da sua forte ligação à natureza e da sua intensa influência no percurso de pintora, todavia, ali todos nos encontramos, numa semiose de olhares, de signos e de significados. É essa capacidade de se representar e de interpretar o outro e o universo, que Edite Melo nos apresenta na sua imensa obra. A representação do espaço interior de cada um. Cada tela significa um lugar de abrigo, de quietude, de refugio, de luz, de cumplicidades e de afetos, que é sublimada.

A escolha dos tons e das cores é a confirmação palpável dessa harmonia com a natureza que tanto a inspira. A força do azul do céu e do mar, refugio das inquietações e apelo à quietude do espirito, os ocres da terra, intimidação ao lado mais terreno e ilusório, a sublimação dos tons amarelo e alaranjado, como que a lembrar-nos a força do astro solar e a busca dessa luz portadora de energia. A mutação do cosmos e a rotação solardignificam-se na representação pigmentar nas obras de Edite Melo. Sente-se na linguagem das cores e do movimento, vida a vibrar, estações a sucederem-se, lê-se nos espaços abstratamente geométricos, a construção de cidades utópicas, ilhas azuis perdidas num universo de luz, silhuetas evoluindo num mundo por vezes opaco, por vezes transparente, poesia na sua essência mais pura. A eterna procura do belo em todos os aspetos da vida e da realidade que a rodeia. Sente-se a vontade de reproduzir um mundo abstrato onde apenas há lugar para a beleza, para o maravilhoso. Ali todos nos encontramos, todos os olhares se cruzam num bailado de luz e de sombra e se confundem, o olhar do outro, o olhar do sagrado, o olhar da plenitude, o olhar da quietude, o olhar da alma.

Toda a obra de Edite Melo, representa este dialogo constante com a confrontação do efémero da existência, mas também uma fuga para o lugar da eternidade, o lugar da plenitude, o lugar da luz. Contemplar a obra de Edite Melo, é como encontrar um caminho de transparências, de afetos, de cumplicidades, dentro de uma casa a que chamamos tela e nela se fundir, se reinventar, submergir nas cores e na imagética que nos mergulham no mais profundo mistério da humanidade e da natureza. Essa capacidade de se transformar na força transcendental dos olhares, de cumplicidades, de pigmentos.

São Gonçalves

Setembro de 2016

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