António deMatos

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deMatos … em busca da harmonia perdida.

Voltar a olhar os quadros de deMatos é como regressar à infância que não foi nossa, ou ao lugar onde a utopia se desmoronou. O que fascina neste artista é o seu deslumbramento descontente, uma fragilidade heróica, própria de quem procura um sentido dentro do absurdo.

A sua escola, ganhou-a insistindo, repetindo, alterando, destruindo, reconstruindo – trabalho solitário, onde aprendeu a conviver dentro de si, com a Arte.
Contemplar esta girândola de luz que irrompe das suas telas é confrontarmo-nos com a vida e o seu desconcerto. As suas cores não têm paz. Elas agridem-nos e, ao mesmo tempo, convocam-nos à responsabilidade de sermos mais fundo, mais mundo. É a procura da harmonia perdida a revelar-nos a pluralidade de tudo quanto somos feitos.
Há neste ser uma humildade que não desiste do futuro, porque não sabe abdicar de si mesmo.
Nesta obra há uma ternura que dói, um olhar que se observa, olhando-nos enternecido e descontente. É mágico o espelho a que ela nos obriga, buscando-nos mais fundo, mais conscientes dos bichos civilizados e impuros que somos: predadores religiosos negando eternamente a condição trágica da vida.
E porque o Artista sabe que a única verdade é a Morte – que a vida humana é um infinito de mentiras onde nos encontramos -, busca a harmonia perdida, onde o futuro, um dia, irá dar – esse lugar que não há senão no seu olhar deslumbrado e céptico que todos nós, humildes observadores ,festejamos.
Lousã, 24-VIII-2015
Carlos Carranca

Lista de Obras

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